Fui chamada pelo RH para uma entrevista. No dia, fui informada que participaria também o controller, o que não havia sido mencionado antes, mas até aí tudo bem.
A entrevista começou com as apresentações e depois pediram para eu falar sobre minha trajetória e experiências. Porém, senti que a condução feita pelo controller foi bastante desconfortável e pouco acolhedora. A vaga anunciada não deixava claro que buscavam alguém especificamente com experiência no ramo financeiro, pois a descrição trazia atividades comuns da rotina contábil, como fechamento contábil, conferência de retenções na fonte e conciliações.
Antes de publicar uma vaga, acredito que a empresa deveria deixar bem claro qual é o perfil desejado, quais atividades realmente serão executadas e quais experiências espera que o candidato tenha. Atividades como fechamento contábil, conferência de retenções e conciliação fazem parte da rotina básica de um analista contábil experiente. Se a empresa espera alguém com vivência específica em instituições financeiras, gestoras de fundos, securitizadoras ou temas técnicos muito específicos, isso deveria estar claro na descrição da vaga.
Durante a entrevista, o controller fez perguntas muito específicas, como sobre depreciação acelerada e cálculo de estoque dos meus clientes, mas a abordagem foi feita de forma agressiva e com tom de desdém em relação aos meus conhecimentos e experiências na área industrial. O ponto é que empresas como gestoras de fundos, securitizadoras e similares são, em geral, empresas de prestação de serviços, que normalmente não possuem estoque e também não costumam ter situações de depreciação acelerada como ponto central da rotina contábil. Por isso, a indignação demonstrada durante a entrevista pareceu desproporcional e desconectada da própria realidade da vaga.
Em vez de conduzir a conversa de forma técnica e respeitosa, passou a impressão de querer diminuir o candidato, e não de avaliar de forma profissional. Uma entrevista também é uma oportunidade para a empresa demonstrar sua cultura e a postura da liderança. Infelizmente, a experiência deixou uma impressão negativa, principalmente pela falta de cordialidade, pelo excesso de ego demonstrado na condução da conversa e pela falta de clareza entre o que estava descrito na vaga e o que foi cobrado na entrevista.
O único ponto positivo foi que a entrevista durou apenas cerca de 17 minutos, então ao menos não houve perda maior de tempo. Ainda assim, acredito que o processo poderia ter sido conduzido com mais respeito, clareza sobre o perfil desejado e profissionalismo.