Passei por um processo seletivo no Nubank e senti que era importante deixar registrada minha experiência, principalmente para ajudar quem está se preparando para futuras etapas nessa empresa.
Desde o início, já imaginava que não seria um processo fácil, considerando a relevância do Nubank no mercado financeiro, sua cultura disruptiva e o crescimento exponencial nos últimos anos. Entrei com entusiasmo e com a consciência de que entrevistas exigem preparo, presença e autenticidade. No entanto, infelizmente, o que encontrei não foi apenas complexidade — foi, acima de tudo, uma abordagem que, na minha visão, ultrapassou o limite do que é produtivo e respeitoso em uma entrevista de emprego.
A entrevista continha questionamentos complexos e com tempo cronometrado, o que é compreensível em processos seletivos modernos. No entanto, o formato não permitia expressar de forma completa as vivências reais, justamente aquelas que formam o profissional no dia a dia. Respondi com base nas minhas experiências concretas, e, ainda assim, a condução por parte dos supervisores soou mais como um teste de resistência emocional do que como uma troca profissional. Muitas perguntas vinham carregadas de tom desafiador, beirando a desconfiança, tentando inverter ou questionar minhas respostas como se existisse apenas uma forma “certa” de ser profissional.
Esse tipo de abordagem, para mim, não colabora com a seleção de talentos diversos e preparados para contribuir com o time. Pelo contrário, pode acabar excluindo perfis valiosos por conta da rigidez de um questionário mal conduzido. Em outras empresas de grande porte — inclusive bancos mais tradicionais —, encontrei processos muito mais humanos, estratégicos e respeitosos, sem perder a exigência técnica.
Quero deixar claro que o time de RH foi excelente. Desde o primeiro contato até o acompanhamento, senti cuidado, empatia e profissionalismo. A crítica aqui vai especificamente para a conduta dos supervisores que conduziram a entrevista técnica. Senti que faltou preparo para lidar com pessoas em um momento tão sensível quanto uma seleção. E, se o objetivo era desafiar, o efeito foi o oposto: desmotivar e, de certa forma, invalidar uma trajetória profissional construída com muito esforço.
Agradeço a oportunidade, mas, sinceramente, gostaria de ter meu tempo de volta. O processo, como foi conduzido, não extrai o melhor dos candidatos — e talvez, por isso mesmo, o Nubank possa estar deixando passar profissionais que realmente fariam a diferença no time.