A entrevista foi uma experiência que escancarou alguns pontos críticos. A recrutadora iniciou com perguntas normais de RH, conduzindo a parte dela de forma tranquila e dentro do esperado,nada fora do padrão, tudo muito bem posicionado. O problema começou na etapa técnica.
Muitas das perguntas técnicas que respondi estavam corretas e fundamentadas na prática de quem realmente vive a operação. Mesmo assim, após responder com clareza, era comum ouvir: explica melhor, dá mais detalhes. Isso foi se repetindo a ponto de parecer que não buscavam uma confirmação de conhecimento, mas sim uma aula ou uma consultoria disfarçada de entrevista.
É importante entender que entrevista técnica não é para obter todas as soluções prontas.
Ninguém vai entregar 100% das respostas, porque muita coisa depende da realidade interna da empresa, de processos específicos e, principalmente, da forma como o sistema está parametrizado.
Ficou evidente que o sênior presente tem sua única vivência na própria empresa. Isso traz um viés perigoso centralização de conhecimento, resistência a novas visões e até um certo incômodo com quem tem mais experiência. O desconforto era visível como se houvesse uma ameaça velada. E pior a impressão é que mesmo com essa pessoa indo para outro setor, ela ainda influencia no processo seletivo, o que não faz sentido. Se alguém foi promovido, o mínimo é permitir que o novo talento entre sem se deparar com muros invisíveis.
Por fim, a estrutura da equipe aparenta ter pouca bagagem técnica, o que reforça essa centralização e dependência. Tudo indica que a escolha final será por alguém com menos experiência, justamente para manter esse poder técnico concentrado. Uma armadilha clássica, que mina o crescimento da área e enfraquece a autonomia dos futuros integrantes do time.